Marta

Marta nasceu prematura. No oitavo mês de gravidez, decidiu que já estava pronta para ver o mundo e obrigou sua mãe a correr para o hospital sem nem mesmo ter tomado o café da manhã. Às 9:40 horas tomou seu primeiro banho, e em menos de três dias, foi para seu novo lar.

Filha de mãe solteira, que tinha dois empregos para sustentar a pequena família, Marta aprendeu a se virar muito cedo. Aprendeu a ler antes que todas as crianças do bairro. Aprendeu matemática sozinha e acredite se quiser, até piano ela tocava.

Aos dez anos de idade já sabia o suficiente para entrar na faculdade, por isso decidiu fugir de casa para conhecer o que a escola não iria ensinar. Deixou para trás sua mãe, sua vila e nada mais.

Passou por cidades que não tinham nome, ou pelo menos que não fizera questão de aprender. Conheceu gente que não falava a sua língua, ou seriam apenas sotaque diferentes demais para serem compreendidos? Mas nada disso fez diferença, e aos 14 anos, Marta era conhecida em todas essas regiões.

Aos quinze arrumou um namorado, noivou e casou. Não sabia se o amava, mas tinha gosto em fazer o que queria, na hora em que queria. Foi por isso que engravidou aos 16.

Nove meses depois, Marta deu a luz a um lindo menininho, ao qual chamou de Paulo. Gostava desse nome, apesar de nunca tê-lo ouvido antes.

Paulo conseguiu prender a atenção da mãe por umas duas semanas e em um mês, Marta já o havia deixado nos cuidados do pai da criança.

Aos 18, Marta achava que tinha feito de tudo e vivia entediada pelos cantos. Mas um dia, decidiu que iria fazer algo novo. Atravessou a rua para partir em sua nova aventura. O sol brilhava e o dia estava lindo. Tinha certeza de que faria algo diferente naquele dia.

Virou a esquina à meia noite e com apenas 19 anos foi atropelada e morreu quase que imediatamente no asfalto, mas nos poucos seguntos que lhe restaram, ela sorriu, pois em sua mente simplória, essa era a única coisa que ainda não tinha feito.

Marta foi lembrada pelos moradores da região, como a garota que parou o trânsito matinal. Sua mãe nem lembrava o seu nome. E você, leitor, vai se lembrar dela como a menina precoce que morreu no dia do aniversário sem nem conseguir encher  meia página de um blog.

Tais Berman Fadel

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Amantes

 

 

Seu toque se misturava com o dele. Sua pele era acariciada pelos lábios dele. O calor de seu hálito era recebido pelas faces do rapaz, que a encarava de olhos fechados. Não podia vê-la, mas sabia exatamente onde encontrá-la.

 

Eram amantes, vestidos pela culpa e nus por puro prazer. Era um relacionamento marcado pelo silêncio. Ela, quando precisava desabafar, contava suas mágoas aos ventos, que a escutava e guardava em segredo tudo o que havia ouvido.

 

Eles se amavam, Mais do que tudo, eles se amavam. Estavam sempre perto um do outro, sentados lado a lado, deitados lado a lado.

 

Silêncio.

 

Mais uma vez o silêncio tomava conta. Não era possível viver assim. Ela sabia disso e imaginava se ele não sentia a mesma coisa. Mas ele não demonstrava, não dizia nada.

 

Em um de seus encontros, deitados na cama, ela pôs-se a pensar. Olhou para o lado e viu que seu amante estava com os olhos fechados. Imitou-o por um tempo, e quando não suportou mais, tornou a abrir os olhos.

 

Tentou chamar seu amor, mas ele não respondeu. Bateu de leve em seus braços, mais parecendo um gesto de carinho do que um chamado.

 

Não houve reposta.

 

Ele não se movia, nem mesmo respirava. Ela então percebeu que a vida dele havia sido sugada. Ele também estava cansado. Então, sem hesitar, ela fechou os olhos e novamente o imitou, deixando que sua vida também fosse sugada e que seu sofrimento, enfim, pudesse acabar.

 

Seus olhos nunca mais se abriram.

Tais Berman Fadel.

Yes, baby.

Quem me conhece sabe que eu sou muito fan do “Yes”. Ele faz parte do meu vocabulário e alguns acham que o uso mais do que o necessário. Mas recentemente “conheci” alguém que discordaria deles. Estou falando de Danny Wallace, o Yes Man britânico.

Ele nasceu na Escócia e foi criado na Inglaterra, fez faculdade de producão para rádio e aos 22, conseguiu um emprego na BBC.

Até aí tudo bem. Qualquer um poderia dizer que ele é um dos, senão o mais normal dos homens que andam por aí. Mas não é bem assim. Danny, cansado de só andar por aí, começou a criar projetos (boy projetcs, como sua ex-namorada os chamavam) um tanto quanto peculiares.

Um dia, ele decidiu colocar no jornal um anúncio que dizia apenas “Join me” (una-se a mim). Hoje, ele tem mais de 12.000 joinees e toda sexta-feira (Good Friday) eles fazem atos de bondade a estranhos.

Como se fundar um culto por acidente não fosse o suficiente, ele resolveu criar um país. Isso mesmo, o rei Danny I é o governante do reino Lovely, que tem como base o apartamento do monarca. Quem quiser, pode checar o Hino Nacional nesse link: http://www.youtube.com/watch?v=X-CFz9kYBJI

E aos 26 anos, Danny Wallace fez algo extraordinário: ele criou mais um boy project, mas dessa vez, ele se transformou no Yes Man por meio do Yes Manifesto. Pelo período de um ano, ele teria que dizer sim a tudo e a todos.

Yesssss, é isso aí. Qualquer oportunidade, Danny aceitaria com os braços abertos e um grande Yes nos lábios. Peguntas desde “aceita açúcar?’ a “você quer comprar um carro?” ganhavam a mesma resposta: “Yes, I do”. Alguns mais entusiasmasdos do que o outro, mas mesmo assim, sim.

E o melhor de tudo: depois de passar por essas aventuras, Danny, que escrevia todos os dias em um diário, publicava suas “maluquices” em livros como “Join me”, “How to start your own country” e, é claro, “Yes Man”.

Esse último ainda ganhou uma versão nas telonas (uma versão beeem diferente do livro, mas efim) com o Jim Carrey no papel principal.

O último livro de Danny é o “Friends Like These”, que infelizmente não chegou no Brasil e acho que nem vai chegar. O jeito é importar mesmo, mas vale lembrar que não existe impostos sobre livros importados. É, galera, só não lê quem realmente não quer.

Mas o que eu quis provar com esse texto, é que existem pessoas por aí que falam muito mais “Yess” do que eu. Eu digo “não” algumas vezes, e “talvez” também. Porém, acredito no poder do “Yes”, principalmente depois de ler o livro de Wallace. Comecei a ver a vida sob uma nova perspectiva e ao me perder nas páginas e mais páginas de leitura, ri e chorei…de rir, com esse autor maravilhoso.

Para o  rei Danny I só tenho uma palavra, e vocês sabem muito bem qual é.

Tais Berman Fadel.

A hora que chega para todos.

Seu relógio estava sempre cinco minutos atrasado. Não sabia o porquê, pois o acertava pelo menos uma vez por semana, mas era batata: no dia seguinte, ele estaria errado. No entanto, ele insistia em ficar com aquela peça única que havia sido presente de seu pai há apenas dois anos.

Ainda se lembrava da tarde fresca, quando seu pai entrou com esforço na casa da piscina, para encontrá-lo aos preparos de um mergulho. Pegou sua mão com forca. Provavelmente toda forca que restava no corpo que o tempo já havia feito o favor de consumir. Olhou o filho nos olhos e colocou o relógio em suas mãos. Disse que era muito especial, pois marcava a hora que chegava para todos.

O filho não entendeu muito bem, mas preferiu deixar por assim mesmo. Fez que sim para o pai e o acompanhou para dentro de casa, esquecendo-se completamente do seu encontro com a piscina.

Seu pai morreu na tarde seguinte e foi enterrado em uma cerimônia intima, mas nem por isso menos emocionante. As lágrimas também caiam do céu em forma de chuva, que não cessaram por dois dias.

Agora, dois anos mais tarde, ele ainda não entendia as palavras do pai, mas fazia questão de ter o relógio sempre em mãos, atrasasse o quanto fosse.

Tivera uma relação difícil com o pai. Sua mãe morreu quando tinha apenas três anos e apesar da fortuna da família, nada preenchia aquele vazio que sentia naquela casa cheia de cômodos, que no mínimo, não serviam para nada.

Pai e filho viviam distantes, em mundos diferentes. Coisa que não era difícil em uma casa tão grande. Podia ver a cidade inteira da sua janela, mas parecia não enxergar o próprio pai sentado do outro lado da mesa de jantar.

Viveram assim até que viver se tornou insuportável e o mais velho do clã deixou seu filho de 16 anos sozinho. Não sem antes de presenteá-lo com o tal relógio. Não sem antes contundi-lo com suas palavras uma última vez.

Hoje, não ligava mais para o passado e só usava o relógio pois era o único símbolo a mostrar que um vínculo entre os dois, não importa qual, havia existido.

E lá ia ele, acertar o relógio, sabendo que faria a mesma coisa dali a dois dias. Foi então que percebeu: os minutos não estavam atrasados. O relógio havia parado por completo. Isso não era possível, pois havia dado corda naquela manhã, como todas as outras.

Fez de um tudo que só faltou abrir a única herança que aceitara do pai, mas não descobriu o problema. Sentou exausto no sofá encarando o relógio. Foi então que se lembrou das palavras tão estranhas do velho, um dia antes de sua morte.

Por algum motivo, sabia que a tal hora havia chegado, mas não sabia que hora era aquela. Perguntou-se se iria morrer. Até segurou a respiração para ver se cairia duro no carpete que já estava naquele apartamento alugado há anos. Mas nada. Continuava vivo, e o relógio parado.

Cansado de esperar, foi a geladeira e procurou algo para comer. Achou um pedacico de queijo e enfiou de uma vez na boa. Pensou de morreria engasgado, mas quando sentiu que o pedaço de queijo chegava sã e salvo ao fundo se sua garganta, respirou aliviado.

Tomou um copo de água, em seguida para ter certeza de que o queijo havia feito sua viagem e retornou para o sofá. Pegou o relógio e viu que nada havia mudado. Ele marcava 14h30min da tarde e pelo que podia ver do seu microondas, já se passavam das 15 horas.

O que aquilo queria dizer? “A hora que chega para todos”. Que ele sabia, a tal hora era a morte, mas ainda estava vivo, e pelo jeito, fazendo hora extra.

Levantou-se e começou a passear pela sala, sempre jogando um olhar para sua herança que agora repousava no centro da mesa. Já estava ficando irritado, se não ia morrer, deveria pelo menos tentar esquecer tudo isso e viver.

Mas não conseguia. Acabava voltando para aquele sofá. Até que não agüentou e resolveu falar com um amigo.

Chegou à casa de seu confidente e contou-lhe tudo. Mas de nada adiantou, uma vez que o outro entendeu tudo menos ainda. Resolveu que levaria até a casa de sua antiga vizinha, que fora sua amiga em tantas tardes solitárias.

Porém, ela não fez outra coisa senão olhar para ele assustada. Nunca tinha ouvido do tal relógio misterioso.

Frustrado por não obter respostas, resolveu ir de uma vez por todas ao relojoeiro da cidade e pedir a opinião de um profissional. Mas dessa vez, não lhe contaria a historia. Deixaria que ele examinasse o tal relógio.

Voltou para casa paralisado. Não esperava pelo que o relojoeiro havia dito. Mas ele só podia estar certo. Era a única explicação. A hora que chegava para todos, havia chegado para ele: a hora de comprar um relógio novo.

Tais Berman Fadel

Playing for change.

Stand by me around the world.

É bem legal, vale a pena separar 5 minutinhos para ver.

O caso dele e dela.

Ele andava a sua frente, como se estivesse guiando o caminho, apesar dela saber muito bem aonde iam. Em seu rosto, havia coragem, e era claro que ele queria protegê-la de possíveis acidentes.

Ela não parecia estar com medo. Andava com determinação e estava calma; um tanto quanto serena. Um brilho saia dela. Sem dúvida, era uma menina muito bonita, com os seus 15 anos.

Ele não era tão belo quanto sua acompanhante, mas tinha uma presença forte, e não era ruim de se olhar. Parecia mais novo que ela, mas tenho quase certeza de que era pelo menos um mês mais velho.

Esticou os braços para frente, como se pedindo para que algo parasse. Ela olhou sem entender. Passados alguns segundos, continuaram o seu caminho.

Ele estendeu seu braço direito para trás e esperou alguns segundos. Sem exitar, ela colocou sua mão entre a dele.

Agora ele não andava mais a sua frente. Caminhavam lado a lado, pelo fim do percurso. Tinham acabado de atravessar a Faria Lima fora da faixa de pedestres. Muitos sabem do perigo dessa proeza.

Mas o mais incrível, não foi os dois saírem com vida, e sim, conseguir transformar um fato tão banal como atravessar a rua, em um caso de amor.

Tais B. Fadel

“Living is easy with eyes closed, misunderstanding all you see”.

(John Lennon)

Viver é fácil.

“Viver é fácil de olhos fechados”. Não sei quem disse isso primeiro, mas eu ouvi da boca do ex-Beatle John Lennon, em  Strawberry Fields Forever. Gostei dessa frase, mas a princípio, foi só isso.

Porém, ela apareceu novamente na minha cabeça em um momento inesperado: quando estava visitando meu avô no hospital. Lembro que ele queria levantar da cama, mas não podia. Depois de pedir pela milésima vez, ele fechou os  olhos por alguns segundos. E foi aí que aconteceu.

Nessa hora, a bentida frase brotou na minha cabeça. “Living is easy with eyes closed”. Em inglês, com ritmo e tudo mais. Me peguei imaginando o que meu vô pensou, viu ou desejou quando fechou os olhos. Me perguntei se tudo havia realmente ficado mais fácil.

Dalí em diante, esse pensamento não saiu da minha cabeça. Tantas coisas que eu gostaria de mudar na minha vida, tantas escolhas que eu não tenho coragem de fazer. Às vezes eu fecho os olhos, e realmente, viver fica mais fácil.

Me vejo onde quero estar, fazendo o que sempre sonhei. É uma sensação maravilhosa. Eu me desligo, paro tudo o que estou fazendo, porque sei, que quando fecho os olhos, eu realmente vejo.

As soluções brotam, a coragem brota. É no ambiente onde a maioria das crianças tem medo de entrar, que eu me acho. É no escuro que tudo fica claro e é no escuro, que a minha vida fica mais fácil.

Me empolgo, porque meus pensamentos vão a mil. Eles passam e até voam. E eu vejo tudo. Fico feliz, pois descobri uma forma fácil de levar a vida. Basta começar a piscar e não terminar.

Mas aí, escuto a música que me inspirou, e ninguém menos que John Lennon me traz para a realidade. Com uma outra frase, fechar os olhos torna-se insuportável. “Entendendo errado tudo o que você vê”.

Pensei se era assim mesmo, se tudo o que eu via quando fechava os olhos estava errado. Mas quer saber? Eu sei que tudo estava certo, menos a minha atitude.

Posso até sonhar de olhos fechados, mas não vou me enganar. À partir de agora, vou abrir os olhos, enfrentar as dificuldades e ao invés de somente ver, vou fazer acontecer.

Tais B. Fadel

FIM.

Era isso. Finalmente tudo estava acabado, e ao dizer as minhas últimas palavras fechei os olhos. Sabia que as pessoas a minha volta estavam chorando, pois ouvia seus soluços e sentia que se moviam ao meu redor.

Fui tomada por sentimentos inéditos: leveza e paz de espírito. Por um momento, cheguei a pensar que estava flutuando, e se você quer saber, acho que estava mesmo.

Ainda com os olhos fechados, esperava qualquer barulho indicando o abrir das portas. Daquelas portas das quais todos que já estiveram no meu lugar, sonhavam em cruzar.

Nunca mais voltar…ahhh, essa era a minha maior vontade. Chegava a ser desesperador. Dor…sentia dor quando estava ali; dor psicológica ao ouvir comentários de alguns tantos daquele lugar.

Mas agora não havia dor, não havia nada. Só a certeza de que o fim havia chegado. Sabia que era inevitável…todos sabem. É o curso natural da vida. Muitos têm medo, muito medo, mas eu não. Na verdade, sonhava com isso até quando estava acordada.

No trânsito, tinha devaneios de como seria o dia em que eu não precisasse mais fazer essas viagens a 5 km/h às 18:30 da tarde. Devo dizer, que estou aliviava. O dia finalmente chegou, e eu estou em puro êxtase.

Sons  e ruídos ao redor iam diminuindo. Senti toques leves e um pouco distantes, como se não quisessem me acordar. E não poderiam nem se tentassem. Já estava longe, lonje de tudo e de todos.

Dizem que todo o fim é um novo começo, e eu não via a hora de começar o que estava por vir. Certamente, seria melhor do que a minha ex situação presente.

“Estava nascendo de novo”. Mal podia acreditar que estava me formando. Havia acabo de apresentar o Trabalho de Conclusão de Curso e nunca mais precisaria pisar ali. Parecia um sonho. Já me sentia diferente, como se algo estivesse sendo expulso de mim…quase lá, saindo…aaa…uuuuaaaaahhh.

Silêncio.

Acordei com aquele bocejo estranho e percebi que tudo havia sido mesmo um sonho. O fim, era na verdade, o da noite. E o novo começo, era o da semana. Segunda-feira desgraçda,

Um ano e meio…um ano e meio…

Tais Berman Fadel.

Não estou conseguindo atualizar o blog. Desculpa master, pessoas.

Assim que der, eu voltarei.

Entediante

Era assim que começavam todos os seus dias. Já sabia o que iria vestir desde a noite anterior, e bastavam 20 minutos para que estivesse na rua. Não acreditava que banhos pela manhã pudessem ajudar a espantar o sono, portanto, nem se incomodava a tomar um.

Era incrível como as ruas continuavam iguais. A quantidade de carros aumentava, mas nada mais havia mudado. A primeira vez que viu um mesmo carro que já havia visto antes, foi uma surpresa, mas agora nem reagia mais.

Carros, carros, curva, túnel. É incrível, como as músicas mais legais começam a tocar na rádio, bem no momento que você vai atravessar o túnel. Havia desenvolvido o costume de cantar, nesse meio tempo. Não cantava bem, mas vinha se perguntando, há um tempo, se fazia alguma coisa, realmente bem.

Passa o dia no trabalho, pensando que vai explodir, pois não agüenta mais a pressão, e não vai conseguir resolver tudo o que precisa. Mas até hoje, tudo deu certo. Até hoje.

Ao sair do trabalho, alívio por ter dado tempo, lembra-se do trânsito. Uma hora e meia, passam, ou melhor, arrastam-se até que, com o tanque na reserva, o carro para na garagem.

Sobe. A primeira coisa que faz, é tomar banho.  Coloca o pijama, e a seguir, escolhe a roupa do dia seguinte. Deita-se, e percebe, mais uma vez, que sua vida, é ainda mais vazia que essa estória.

Tais Berman Fadel